A depressão no idoso é uma condição passível de ser tratada, que não deverá ser ignorada, dispensada como uma causa normal do envelhecimento ou encarada como uma causa perdida. A prevenção e a intervenção precoce são cruciais.
O aumento da participação e envolvimento em actividades significativas parece reduzir os sintomas de depressão em alguns destes indivíduos. Assegurar que o idoso tenha acesso e a possibilidade de participar em actividades vocacionais, voluntárias ou de lazer, pode, não só, prevenir uma reacção depressiva, como também, reduzir a severidade e duração da mesma. O importante é garantir que as actividades sugeridas sejam interessantes e significativas para a pessoa.
Também a identificação precoce da depressão nos idosos é uma função importante dos profissionais, na prática geriátrica. Prestar atenção aos sinais de depressão, aos factores de risco, manifestações e sintomas comuns é uma ajuda no reconhecimento do problema nos seus estádios iniciais, levando a intervenção formal, diagnóstico e desenvolvimento de um plano de intervenção.(1)
A forma mais comum de intervenção com as pessoas idosas é a farmacológica. Outras formas efectivas de tratamento incluem exercício para melhorar sintomas depressivos em pessoas que não respondem à medicação.
Os terapeutas ocupacionais e as equipas multidisciplinares têm um papel importante na detecção precoce e intervenção da depressão no idoso, tanto a nível da comunidade, como em lares e locais de saúde mental e física. O objectivo primário da intervenção é capacitar a pessoa a envolver-se nos seus papéis e ocupações diárias. O terapeuta deverá garantir que as restrições à participação, que afectam a capacidade de desempenhar as suas ocupações, são identificadas.
Os terapeutas ocupacionais trabalham tanto a nível individual como em grupo, usando uma grande variedade de actividades. A intervenção irá depender das prioridades e objectivos identificados pelo utente e pelo terapeuta. Será apropriado estabelecer inicialmente objectivos a curto-prazo que o indivíduo sinta que é capaz de atingir. (3)
Estas estratégias que promovem a motivação do utente podem ajudar a atenuar os efeitos da depressão. (2)
Quanto à intervenção relativa aos cuidadores do idoso com depressão, pode desenhar-se um plano de intervenção (apenas para o cuidador, ou em conjunto com o idoso com patologia) que ajude a reduzir os sintomas de depressão no cuidador, o que, por sua vez, aumenta a capacidade funcional em todos os seus papéis. (1)
Uma vez que uma melhoria do estado do utente pode dever-se aos efeitos positivos da medicação, é importante aumentar a motivação e manter claros quais os records da terapia ocupacional aquando da revisão dos resultados multidisciplinares. (3)
Bibliografia
(1) Riley, K P. Depression. In: Bonder, B R, Wagner, M B. Functional Performance in Older Adults. 2ªedição. Filadélfia: F. A. Davis Company; 2001. p.312-313.
(2) Emery, L J. Rehabilitation. In: Bonder, B R, Wagner, M B. Functional Performance in Older Adults. 2ªedição. Filadélfia: F. A. Davis Company; 2001. p.395.
(3) McIntyre A, Atwal A. Pathologies of old age. In: McIntyre A, Atwal A Occupational Therapy and Older People. 2ªedição. Londres: Backwell Publishing; 2007. p. 72-75.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
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