sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Relação entre depressão e osteoartrose

Relação entre depressão e osteoartrose
A relação existente entre doenças físicas e mentais é de grande interesse, sendo geralmente aceite que a existência de uma patologia orgânica no indivíduo aumenta o risco de transtornos psiquiátricos. (1)
Esta associação pode ser vista como bidireccional: a depressão desencadeia doenças crónicas e estas podem agravar os sintomas depressivos. Esta relação complexa é importante tanto para o tratamento da depressão como para o controlo das doenças crónicas. (1)
Embora envelhecer não implique adoecer, a maioria dos idosos são portadores de doenças crónicas e múltiplas. Dessa forma, o indivíduo está susceptível a uma gama de interacções entre as diversas perturbações, com consequências orgânicas e psicossociais. Segundo alguns estudos os idosos portadores de três doenças crónicas têm maior tendência à sintomatologia depressiva. (1)
A depressão constitui uma perturbação mental frequente no idoso, comprometendo intensamente a sua qualidade de vida, sendo considerada um factor de risco para processos demenciais. É uma condição que coloca em risco de vida, sobretudo daqueles que têm alguma doença crónico-degenerativa ou incapacitante, pois há uma influência recíproca na evolução clínica do paciente. (2)
A depressão no idoso costuma manifestar-se por meio de queixas físicas frequentes e associada a doenças clínicas gerais, sobretudo aquelas que provocam sofrimento prolongado, levando á dependência física e à perda de autonomia e que induzem á hospitalização ou institucionalização. Por outro lado, a depressão nestes pacientes agrava as complicações clínicas gerais e eleva a mortalidade. (2)
Embora com prevalência elevada nas doenças clínicas gerais, a depressão não tem sido adequadamente diagnosticada e tratada. Muitas vezes, os sintomas depressivos são confundidos com a própria doença clínica geral ou como uma consequência do envelhecimento normal do indivíduo, sendo pouco valorizados. (2)
É ainda importante registar que períodos prolongados de dor, comprometimento da nutrição, emagrecimento e factores que resultam à diminuição da autonomia e perda da mobilidade física, contribuem em grande parte para a instalação da depressão. Os pacientes que se encontram nestas condições tendem a evoluir com sintomas psicóticos caracterizados sobretudo por sentimentos de nulidade e de que o seu corpo está a morrer aos poucos. O medo da progressão da doença física, da perda da dignidade e o medo de se tornar um transtorno e um “fardo” para os familiares também são considerados fenómenos psicológicos que influenciam a condição física do indivíduo. (2)
O paciente deprimido diminui os seus auto-cuidados, recusa-se a alimentar-se e a seguir as recomendações do médico, permanecendo mais tempo restrito ao leito ou com pouca mobilidade física. Estes factores associados à debilidade clínica geral, podem diminuir a imunidade, com maior vulnerabilidade a processos infecciosos. (2)

Bibliografia:

(1) Duarte MB, Rego MAV. Comorbidade ente Depressão e doenças clínicas em um ambulatório de Geriatria. Caderno de Saúde Pública. Novembro de 2007 [acesso em 11 de Janeiro de 2009] 3 (23): [aproximadamente 10 p.]. Disponível em http://www.scielosp.org/pdf/csp/v23n3/27.pdf

(2) Stella F, Gobbi S, Corazza DI, Costa JL. Depressão no Idoso: Diagnóstico, Tratamento e Benefícios da Actividade Física. Motriz Revista de Educação Física – UNESP. Dezembro 2002 [acesso em 11 de Janeiro 2009] 8 (3): [aproximadamente 10 p.]. Disponível em: http://www.re.unesp.br/ib/efisica/motriz/08n3/stella.pdf

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